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Ando devagar porque já tive pressa 

Antes de começar a ler essa cartinha, vem ouvir um tiquinho dessa música comigo?

Não precisa pensar em mais nada agora, se permita colocar os fones e apenas escutar. 

Conheça a artista


Delícia, né? Tão bom quando estamos presentes ouvindo uma música. 

E essa é uma música necessária, além de lindíssima, porque nos faz lembrar que não adianta sair correndo pra chegar na frente, até porque não estamos em uma competição. Nos lembra que o sofrimento faz parte da nossa experiência humana e que só chegamos para partir. 

Mas também nos lembra que não precisamos ver isso de forma negativa, podemos enxergar com poesia, com leveza, tendo a certeza de que seguimos nosso caminho no ritmo certo e olhamos ao redor, olhamos para o céu e brincamos de adivinhar as formas das nuvens, olhamos nos olhos das pessoas, ouvimos sobre suas caminhadas com o coração atento. Também tropeçamos nas pedras e nos buracos, caímos, choramos, porque todo mundo chora um dia, mas percebemos que cumprir a vida é compreender a marcha e seguir em frente.

Conhecemos as manhas e as manhãs, ah, e que delícia as manhãs! Aquelas manhãs de sol, ou de chuva - porque amo manhãs de chuva - com um café gostoso e a companhia de um livro. Conhecemos manhãs de lugares diferentes quando viajamos, respiramos um novo ar, fresquinho, que fez bem para a mente e para o corpo. Aproveitamos as manhãs que conversamos com alguém abertamente ou ouvimos alguém atentamente, sem pensar em mais nada.

Aproveitamos os amores e desamores, aproveitamos cada beijo, cada amasso, cada carinho. Aproveitamos os olhares, os vinhos, os cabelos emaranhados um no outro. É preciso amor pra poder pulsar, e amamos muito! Seguimos amando, o amor é inesgotável. Ele certamente vem com sua dose de sofrimento, mas só faz sofrer mesmo quando não conseguimos nos entender para entender o outro. 

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora. 

Talvez hoje nos sentimos mais fortes, mais felizes, quem sabe. Já caminhamos bastante, já entendemos o ritmo, já aprendemos a observar a estrada, já dominamos as nossas manhas e nossas manhãs. Cada pequena coisa que nos acontece nos ajuda a crescer, cada uma das quedas nos fortalece. Haja músculo pra levantar toda vez! Mas eles crescem, aprendem e ficam mais fortes, vai ficando cada vez mais fácil levantar. 

Dizem que quanto mais entendemos sobre o mundo e sobre as pessoas, mais infelizes ficamos, tem até alguns que dizem “a ignorância é uma benção”. Sabe, eu vejo o oposto: me sinto feliz em entender mais sobre esse mundo, vasto mundo. Quanto mais sabemos, mais podemos ensinar e mais abertos estamos para aprender. O conhecimento é uma benção. 

Por mais que amamos ler, estudar, aprender, observar, só temos a certeza que sabemos pouco. Ou nada. Só conseguimos viver bem - com nós e com os outros - porque aceitamos que nosso conhecimento é minúsculo. Não importa nossa formação: nosso conhecimento é minúsculo. Aprendemos a não lutar contra isso.

Andamos por uma estrada tão nossa, porém tão longa e tão vasta, sabemos pouquíssimo dela. 

E essa estrada, longa estrada, nos ensinou que é preciso paz para poder sorrir. A gente até acostumou a fingir uns sorrisos por aí, mas no fundo sabemos bem que precisamos reencontrar nossa paz constantemente. Não somos nada sem ela. A longa estrada também nos ensinou que é preciso chuva para florir. Por mais detestáveis que sejam nossos dias nublados, nossos momentos de tristeza, de solidão, de afastamento, de dor... é necessário deixar chover, somente assim podemos florir, encontrar nossa paz e sorrir novamente. 

Todo mundo chora um dia. 

E hoje andamos devagar porque já tivemos muita pressa. Entendemos que cada um de nós compõe sua história, entendemos também que quando se apressa demais uma história, ela perde o encanto. 

“Pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.”





Essa cartinha foi totalmente inspirada em um livro que li recentemente. “Devagar”, do Carl Honoré, questiona nosso padrão de velocidade para viver a vida e nos faz repensar o que estamos fazendo e por que queremos ir cada vez mais rápido. Porque você está acelerando tudo? Vivemos sem tempo para nada - só temos tempo para redes sociais, de resto: exercício físico, leitura, descanso, conversas calmas e profundas... hum, putz tô na correria aqui, não vai dar

Essa resposta virou padrão, tão bem recebida, todo mundo entende que você está na correria, sem tempo. É porque estamos todos assim. Nos deixamos levar por essa pressão de ir mais rápido, gostamos de acelerar em todos os sentidos, nos gabamos da falta de tempo. E esse autor, de uma forma tão generosa e tranquila, irá nos levar para um lugar de questionar e refletir sobre tudo isso. Eu aceitei de bom grado essa viagem, cansei de correr.

Agora só quero andar devagar porque já tive muita pressa. 


LINKS


>> Vídeo da Drica sobre o filme "O farol"
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>> Quando descubro que vale a pena sair no calor
>> Paul McCartney cantando na festinha
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>> Episódio dessa semana do Sinapse, apenas ouçam! E sempre com uma música muuuuuuuito boa <3





Amigos, espero que tenham gostado da cartinha dessa semana. Fique à vontade para me responder, adoro receber o feedback dessa news que amo tanto escrever. 

E nos vemos semana que vem! 

Um abraço,
Rita

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Essa newsletter foi escrita por Rita Zerbinatti 
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